sexta-feira, 26 de maio de 2017

[ENTREVISTA 15] MYLENA ARAÚJO

Brendo Hoshington



“Sonhar um sonho que não te faz sonhar, é o mesmo que sonhar sem um propósito”.

Mylena Araújo

Acompanhe essa entrevista ao som de uma das músicas prediletas da autora:



Olá leitores do Book of Livros,vamos de entrevista? A escritora da vez é a Mylena Araújo, autora do livro Valera.


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1. Quem é você?

Eu não sei, quer dizer, sou louca. Ainda estou descobrindo, às vezes penso que sou uma estrela cadente ou a flecha de um guerreiro ou o Chapeleiro maluco. Quem sabe eu seja um pouco de loucura, chatice e alegria. Tudo isso aí misturado.

2. Quando percebeu que a escrita fazia parte da sua vida?

Quando eu já não conseguia guardar minhas ideias só na cabeça. Então, na aula de matemática do 7º ano, parei de prestar atenção na explicação do professor, peguei meu caderno e escrevi um conto de terror sobre um garoto chamado Silas. Depois desse dia não parei mais.

3. Qual o primeiro livro que se lembra de ter lido?

O Anel dos Nibelungos. Um livro maravilhoso, lembro de sua história até hoje, embora eu tenha perdido seu exemplar no colégio. Triste fim. Mas é um enredo baseado na mitologia nórdica, com o típico herói e seu vilão. Um romance da ópera de Richard Wagner. Eu recomendo a leitura.

4. Como era a primeira história que você criou?

A primeira foi Valera. Comecei os rascunhos no 6º ano do ensino fundamental. Eu gosto muito de fantasia e queria criar um mundo só pra mim, então à ideia para um reino conturbado, uma garota e uma espada surgiu. Foram quase cinco anos trabalhando nessa obra que considero minha xodó.

5. Quais são suas inspirações?

Na verdade, quase tudo me inspira. Se eu olhar para uma caneta sobre um papel em branco, é certo que uma guerra entre reinos venha por aí. Mas de uns tempos para cá, tenho buscado inspiração em pessoas que conheço no meu dia a dia. Em Valera, quatro personagens foram inspiradas em amigos meus. É sempre bom você buscar algo numa pessoa real para descrever sua personagem.

6. Metas para o futuro?

Ah, o futuro! Eu seria tola em dizer que não penso no futuro? Prefiro pensar no agora, porque se você planta bons frutos no seu hoje, vai poder colhê-los no amanhã. Então acho que minha linha de raciocínio é bem louquinha, nem eu mesma me entendo.

7. Como você enxerga o quadro atual da literatura no Brasil?

Infelizmente, existe um preconceito contra a literatura brasileira. A maioria dos leitores ainda tem a ideia de que tudo que vem de “fora” é melhor. Não é verdade! Nossos livros são ótimos, e todo dia um autor surge com uma ideia estupenda. Mas essa é uma triste realidade que vai sumir, eu creio nisso! Porque a literatura contemporânea está crescendo cada vez mais e tudo isso se deve aos leitores que enxergam o quanto ela vale a pena ser lida.

8. Qual é o seu livro nacional predileto?

Essa é uma pergunta bem difícil. Entretanto, A Arma Escarlate de Renata Ventura. Sou suspeita para dizer isso, já que sou Potterhead há 14 anos. A maneira como ela descreve o universo misturado ao folclore brasileiro, é incrível!

9. O que gosta de fazer nas horas vagas?

Ler um bom livro, ouvir música e escrever uma nova história, claro.

10. O que você diria para uma pessoa que está começando agora?

Ei, você! Não desista no primeiro tombo, ninguém nunca consegue nada chorando. Mesmo que você caia, siga em frente. Você vai conseguir, porque sempre conseguimos.


Confira agora um texto escrito pela autora: 

Em primeira mão, um trecho do primeiro capítulo da nova história que estou escrevendo para ser publicada até o final de 2017. Um enredo que traz vampiros, alguns piratas, bruxas, humanos e a lenda sobre o “Encourado”, nosso vampiro brasileiro. Esperem bastante sangue, uma pitada de romance e lutas. Ah! A trama se passa em Fortaleza, minha terra natal.


TRECHO DE A SÉTIMA HORDA


Farias corria de quem o perseguia feito um ladrão nas sombras, parou no fim do beco ao som da voz arrepiante, levando o revólver de um lado para o outro do escuro.

— O que você quer?! Dinheiro? Pode pegar. Toma, leva tudo – o homem jogou a carteira com míseros cem reais no chão, ainda com a arma na mira de alguém. 

— Pode atirar se quiser, não vai adiantar — disse Heron à espreita do paredão pixado. — E seu dinheiro não me interessa nem um pouco.

O vigia arriscou chamar por socorro, suas mãos trêmulas o impediam de puxar o gatilho.

Heron permitiu que à luz fosca do poste iluminasse seu rosto, absorvendo com êxtase as batidas violentas do coração do homem.

— Por que a comida sempre dá chilique antes de ser devorada?

— Não vem, não! Eu vou atirar, ein? Não vem, não!

Heron sorriu cínico para a vítima. Seus olhos de vampiro dilatados percorriam o sangue brotando do arranhão na testa do vigia. O derrubara no meio da avenida. Fora tão rápido, somente o borrão de sua silhueta ficou à vista. Andou sorrateiramente até ele, como um leão faminto prestes a abater o cervo.

— Afaste-se. Fique longe!

E, como veio, se foi.

Farias passou a respirar rápido e profundamente. Os olhos petrificados diante do silêncio. Não conseguiu pegar o celular e avisar o amigo para que viesse buscá-lo. Seu corpo permanecia imóvel, não mexia um só músculo. O peito ardia com o medo entranhado em seus ossos. Foi aí que o vampiro retornou e o atirou contra a parede.

— O que quer de mim, demônio?!

— O néctar em suas veias – ele cerrou os dentes sobre a garganta dele e mordeu.
Os gritos do vigia se misturaram aos sons da cidade, espalhando-se pela noite. Heron largou na lata de lixo o que sobrara do homem; cinzas. Um dom vampírico bastante privilegiado. Passivamente, como se nada tivesse acontecido, retornou para a Ponte dos Ingleses. Deixou o brilho da lua banhar sua silhueta de negro, enquanto tirava do bolso um maço de cigarros e acendia um para disfarçar o cheiro de sangria em suas roupas. Olhou em volta, tantas opções, seria difícil escolher a mais saborosa.

Na balaustrada, três garotas passaram a admirá-lo. Não sabiam ao certo se era o estilo descontraído dele ou o brinco na orelha esquerda ou o cabelo escuro, mas o rapaz tinha um quê atraente. E ele era inumanamente lindo, um arsenal que o tornava indecifrável.

O tempo arrastava-se por entre os dedos pálidos de Heron, iludindo-o com algo que jamais alcançaria. Seus olhos claros enxergavam a morte além do que ela se limitava, assim como a audição ouvia a conversa dos vampiros no navio ancorado, tão pequeno comparado ao escuro horizonte. O Encourado havia chegado à orla cearense há meses para barganhar uma nova tripulação de amotinados. É claro que ninguém o enxergava. Afinal, o invisível só é visto por quem acredita que seja visível. À sua direita, pessoas pulavam do espigão feito à beira-mar e, do outro lado, surfistas adormeciam em suas pranchas sobre as baixas ondas de um litoral erguido à sombra de arranha-céus.

Então olhou para baixo. O mar envolto dos pilares trazia a sensação inspiradora para um mergulho. E à medida que a noite levantava, a praia ficava cada vez mais fria. Heron não sentia o frio, apenas a dor de ser o que era. Apoiou-se no parapeito e antes de jogar o cigarro fora, deu uma tragada. No topo, parou um instante para soltar uma piscadela para uma das garotas.

Ele saltou, afundando abaixo da superfície.

Sua visão enublada abriu-se diante da imensidão, a corrente era forte onde estava, tentou descer mais para o fundo, mas seus pulmões ameaçaram queimar. Emergiu rapidamente, nadando de volta ao píer. A sede enlouquecia sua cabeça pelo aroma viciante da loira, agora sozinha perto do mirante. Suas amigas tinham ido embora.
Aproximou-se dela com um sorriso diabólico, envolveu-a com um braço, e a levou para o fim da orla. Atrás de um muro alto, penetrou seu olhar intimidador nos olhos cor de mel dela e o corpo da jovem ficou leve de repente, estava inconsciente para todo o resto. No fim das contas, antes que a madrugada acabasse, o que teria sido uma cantada cretina, acabou sendo a ruína de uma estudante de Psicologia.



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Brendo Hoshington / Administrador & Editor

Mora em Pernambuco e sonha em conhecer o mundo, mas por enquanto viaja apenas em livros e séries.

4 comentários:

  1. Já me fizeram várias recomendações de Valera e em breve estarei lendo. Inclusive, já me disseram coisas excelentes sobre a escrita da autora. Tenho certeza de que é realmente demais! Estou ansioso.

    Desejo sucesso.

    Abraços.

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    1. Também pretendo ler, nem que seja pela Amazon mesmo, rsrs.

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  2. Eu agradeço imensamente pela oportunidade em seu blog, Brendo. Obrigada mesmo *-*

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    1. Primeira de muitas, escritores como você ganha espaço vitalício por aqui <3

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